Oito anos após o quarto e mal-sucedido filme da série, houve um pouco de caos, como sempre, sobre qual seria o próximo passo. Um quinto filme que seguiria a não-cronologia da série e entregaria mais uma ideia estranha? Acabou não acontecendo quando a detentora dos direitos de “The Texas Chainsaw Massacre” os deixou expirar e abriu espaço para a Platinum Dunes, produtora recém-criada pelo cineasta Michael Bay, comprá-los para prosseguir com seu projeto de refilmar o primeiro filme. Neste quesito, especialmente falando em 2026, depois de várias continuações-legado, refilmagens, reboots e abuso da nostalgia, já parece um conceito cansativo pensar que é apenas fazer outra vez o que já foi feito. Por outro lado, soa até mais honesto refazer diretamente o primeiro filme do que fazer o mesmo sob uma falsa premissa como já aconteceu antes.
A história é, naturalmente, a mesma. Mudam algumas caracterizações e personalidades, além de alguns nomes. Não há mais Sally Hardesty, pois agora a protagonista é Erin Hardesty (Jessica Biel), que cruza o Texas numa van com seu irmão e outros três amigos para ir a um show após comprar drogas no México. No caminho, encontram uma moça pedindo carona e a acolhem, mas as coisas dão muito errado, muito rápido, forçando-os a buscar ajuda sem saber que estão para cruzar o caminho de um povo perigoso que mora na região.

Bom, pela primeira vez na série, houve a intenção direta e transparente de contar a mesma história de novo sem outras desculpas. Sem revisionismo, sem autocrítica, sem sátira, sem nem mesmo tentar ser uma continuação. É a mesma coisa numa versão modernizada, o que não necessariamente é algo que imagino que as pessoas e, especialmente os fãs, pediram, mas que talvez fosse inevitável. Refazer usando a exata mesma estética e tom seria redundante, então algum tipo de atualização para além do elenco foi vista como necessária, apesar de terem conservado alguns elementos como Tobe Hooper e Kim Henkel servindo de coprodutores para a produção de Michael Bay, John Larroquete retornando para a narração dos títulos iniciais e, mais importante, Daniel Pearl na cinematografia.
Mas que não se espere alguma coisa próxima ao original: tal qual as continuações, “The Texas Chainsaw Massacre” não compartilha quase nada com ele. O remake escolhe ser um filme sério. Não há mais aquela parcela de humor que existia desde o primeiro, um quê de ridículo inerente a um contexto de insanidade generalizada. Leatherface sempre foi uma figura ambivalente, em vez de um vilão clássico, avatar da maldade, um pouco digno de pena por sua burrice aparente, refletida também em sua aparência mais tosca do que assustadora. Agora não, há um ar de seriedade sobre tudo que já existia. Perde-se um pouco da insanidade homicida quase ingênua de antes, vista principalmente no fato de que os malucos pareciam mais doentes do que malignos, operavam sob uma lógica completamente desconexa da sociedade civilizada como status quo ao invés de cometer atos sistemicamente imorais.
É compreensível que isso possa ser um problema para muita gente, que, como eu, apreciava o tom multifacetado do original. Por um lado, pode-se argumentar que tiraram o tempero que tornava o original especial e o separava de um filme de terror comum sobre jovens que morrem um a um até alguém conseguir escapar no final. E isso é fato: “The Texas Chainsaw Massacre” de fato soa e parece muito mais comum e básico do que antes. Seguindo a proposta de tornar tudo asqueroso, soturno, sujo ou obscuro, Daniel Pearl altera a estética prévia de sua fotografia para adequar a essa nova visão sombria do Texas e, ironicamente, consegue escapar das implicações negativas da descrição da obra como algo mais tradicionalmente dos anos 2000. Não há incompetência da parte de Pearl na função básica de capturar as cenas de forma clara e legível nem mesmo na questão estética. “The Texas Chainsaw Massacre” não é um filme feio, ainda que não seja particularmente belo ou distinto.

Isso define minha opinião geral sobre a obra: está em um meio de caminho entre tentar ser uma releitura renovada e ser um filme genérico. Não haveria problema com a estética mais moderna e sem o aspecto documental guerrilha ou mesmo com o tom mais sério e as pequenas mudanças na família assassina — forçando um pouco, poderiam ser chamadas de expansão de “universo” — mas a obra também não se aproveita das maiores liberdades de ser lançada em 2003. Sem uma censura tão forte da MPAA, violência e imagens fortes poderiam existir com mais tranquilidade no gênero Terror, assim como os cineastas poderiam viver com menos medo de ter seu trabalho massacrado por cortes. Mesmo assim, “The Texas Chainsaw Massacre” parece constantemente retraído, com medo de mostrar um pouco mais de sangue aqui e ali sem necessariamente achar uma saída elegantemente sugestiva para a violência. É como um filme capado, que às vezes decepciona na entrega da recompensa de algumas sequências mais agitadas. Não é como se violência extrema fosse o caminho natural para um filme assim, mas em vários momentos parece que é o próximo passo natural, dada a nova postura adotada na refilmagem.
Não é um problema que destrói a obra como um todo, embora compreenda facilmente quem diga que todas essas mudanças castram o conceito original, estragam seu charme e não oferecem nada à altura no lugar. Diante das duas últimas continuações, “The Texas Chainsaw Massacre” é de longe a mais bem-sucedida por conseguir ser ao menos uma experiência competente. Não é inventivo nem aproveita as oportunidades que tinha para fazer algo diferente, mas em geral é e foi competente o suficiente para provocar um interesse renovado pelo Terror no começo dos Anos 2000, além de alguns outros remakes pela Platinum Dunes.

